| Um exuberante passeio pela Mãe da Mata |
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Imagine ver uma árvore com mais de 700 anos de idade, em meio à Mata Atlântica, e de tal largura que até mesmo um grupo de pessoas juntas teria dificuldade de abraçá-la. Nos dias de hoje, essa não é uma imagem comum.
Mas, ela existe, e está localizada dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mãe da Mata, nas terras do grande Engenho de Sant'Anna, no distrito de Maria Jape, em Ilhéus.
Ao seguir por uma das trilhas da propriedade, é possÃvel caminhar entre gravatás, murtas, óleo comumbá, tucum (do qual os Ãndios tiravam espinhos para fazer armas), juçara para fazer palmito), bapeba de nervura, beriba (que fazia pontes de portos e hoje faz o berimbau), tiririca, dendezeiro, escada de macaco (que está sendo estudada para a cura do vitiligo e como analgésico e anti-inflamatório), amora vermelha, Angelim com mais de 400 anos, buri (excelente para o controle da diabetes), coco danta (onde quatis e jaguatiricas amolam suas unhas), amargosa e amescla (que cura labirintite e perda de memória), além de muitas outras espécies de flora, todas catalogadas por uma pesquisa feita pela Ceplac, Uesc e Universidade de Nova Iorque. A fauna do local também é extremamente rica, com pássaros sangue de boi, formigueiro de cauda ruiva, anambé de asa branca, sete-cores, papagaio chauá, araponga, caburé, beija-flor de rabo branco, tangará rajado, ariramba e cabeça encarnada, além do mico leão da cara dourada, mico soim, caititu, ouriço preto, tamanduá, tatu, teiú, paca, cutia, preguiça, gato de mato, tucano, lontra, capivara e quati. Espécies de lagartos e aranhas são facilmente observadas durante o percurso, sem falar de um formigueiro gigante, daà a importância do guia no momento da trilha, pois muitas coisas não são facilmente observadas pelos visitantes. Em outra parte da propriedade é praticada uma agricultura orgânica, certificada pelo IBD, com produção de cacau, cupuaçu, mamão, banana, pitanga, coco, acerola, serigüela, cajarana, jambo, cajá, caju, jaca, graviola, melão caboclo, jenipapo, araticum, laranja, cana, limão, açaÃ, goiaba, abacate, tangerina e outras frutas. No total, são 40 tipos de frutas diferentes dentro da mesma propriedade. E todas elas podem ser degustadas no final do passeio pelas trilhas. Na Mãe da Mata também existem várias nascentes que formam o Rio São João, com roda d'água, bica, cachoeirinha e lago com vários tipos de peixes. Além de lidar com a preservação e o cultivo de novas espécies da Mata Atlântica, a RPPN também promove, de acordo com a época de plantio e o calendário das escolas, diversas atividades de educação ambiental. "Encontramos uma forma mais interessante, atraente e divertida de despertar a consciência ambiental nas pessoas", conta o proprietário da reserva, Ronaldo Santana. Ele que trabalhou por 30 anos com portos em todo o paÃs, pelo Ministério de Transportes, e já foi vice-prefeito de Ilhéus, lembra que quando decidiu transformar parte de sua área em RPPN, recebeu muitas crÃticas. "Diziam que eu estava tirando o pão da boca dos meus filhos, e que eu deveria transformar a área em uma pastagem bonita, mas eu disse a eles que quando eu morrer só vou precisar de sete palmos de terra, o restante não será necessário, então que seria melhor preservar". Ele também se emociona ao lembrar que anos atrás, seus filhos estavam no meio da mata, e ele os escutou conversando com as plantas e bichos, dizendo "fiquem tranqüilos, pois nós nunca vamos deixar vocês morrerem, porque nosso pai ama muito todos vocês e a gente também". Ronaldo é um homem muito respeitado nas comunidades, não apenas pelo profissionalismo e preocupação ambiental, nem somente pelos serviços públicos prestados, mas especialmente pela solidariedade. Há 30 anos, preocupado com o fato de todos na comunidade de Maria Jape serem analfabetos, ele construiu uma escola para as crianças da região. Durante muito tempo, manteve a escola com recursos próprios, mas, em virtude da crise financeira, a escola tornou-se municipal e ganhou seu nome. Ele se diz satisfeito por ter contribuÃdo com a melhoria de vida da comunidade, que antes ficava a cerca de cinco horas do centro da cidade, mas que aos poucos foi recebendo mais atenção. Ele também está com um projeto de artesanato com casca de cupuaçu, produzido pelas comunidades de Maria Jape e Rio do Engenho, como alternativa para geração de renda. "Sabemos que se não ajudarmos essas pessoas elas continuarão degradando o meio ambiente para se alimentar", explica. O passeio pela Mãe da Mata contempla, ainda, uma visita aos alambiques do Rio do Engenho. O guia explica como funciona o processo de produção da cachaça orgânica fina do Rio do Engenho, que começou timidamente e já é exportada para diversos paÃses do mundo. Lá, os visitantes conhecem cada etapa da produção da cachaça e do biocombustÃvel e, no final, podem degustar a bebida e comprar o produto final para consumo ou para presentear amigos e parentes, uma vez que as embalagens contam histórias da região. Enfim, um passeio que vale muito à pena, tanto pela riqueza de sua história, quanto pelas belezas naturais que podem ser observadas, pelo conhecimento adquirido, além das inúmeras curiosidades contadas pelo próprio Ronaldo Santana. Interessados em visitar o local, podem fazer o agendamento pelos telefones (73) 9981-8132 / 8816-1318 ou acessar o blog: http://rppnmaedamata.blogspot.com |
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